Epidemiologistas esperam que as notificações de casos de pico ocorram nos próximos dez dias

São Paulo – O coronavírus já infectou 7.800 pessoas e causou a morte de 170 em China, superando o número da grande epidemia respiratória anterior no país, Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), entre 2002 e 2003.

Um fato que preocupa particularmente as autoridades é a velocidade de propagação: enquanto o Sars levou seis meses para atingir esses números, o coronavírus começou a se espalhar apenas um mês atrás.

O peso da epidemia para a economia chinesa e global é incerto, mas a preocupação cresce com o progresso dos casos. Analistas da empresa de administração Nomura escreveram em um relatório que os impactos econômicos do coronavírus também podem ser piores que os da Sars, há 17 anos. Lá, a economia chinesa perdeu dois pontos percentuais de crescimento de um quarto para o outro.

Desta vez, segundo Nomura, o PIB no primeiro trimestre pode passar de um aumento de 6% no final de 2019 para menos de 4%. A questão que permanece é a capacidade chinesa de recuperar seu ritmo ao longo de 2020 – mas isso depende do progresso da doença.

Ontem, o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Jerome Powell, afirmou que o surto internacional de coronavírus é uma "questão muito séria" e terá "impactos na economia da China" a curto prazo.

De incerteza a incerteza, o mercado de ações de Hong Kong caiu 2,8% na quinta-feira e o de Taiwan, que retomou as atividades após o feriado de Ano Novo, caiu 5,8%. As bolsas de valores na China continental permanecem fechadas pelo menos até a próxima semana.

O vírus parece estar se aproximando cada vez mais do Brasil. O Ministério da Saúde registra que há nove casos suspeitos em seis estados: São Paulo (3), Santa Catarina (2), Rio de Janeiro (1), Paraná (1), Ceará (1) e Minas Gerais (1).

O caso que mostra mais evidências de como lidar com a nova doença é o de um estudante de Belo Horizonte que estava na cidade chinesa de Wuhan, o epicentro da epidemia. Ela está isolada e aguarda o resultado do exame que confirmará (ou não) a doença para esta sexta-feira (31).

33 casos suspeitos já foram relatados no país – 20 foram rapidamente descartados. Outros quatro casos suspeitos foram testados, que diagnosticaram outras doenças. Os resultados dos nove pacientes que estão sendo monitorados ainda estão ausentes.

Com cerca de 250 pessoas que chegam diariamente da China no Brasil, é possível que novos casos surjam no país. O governo não bloqueou a entrada de viajantes daquele país.

O rápido avanço da doença no mundo levou o Ministério da Saúde a elevar o nível de risco de coronavírus para o nível 2, o que significa "perigo iminente", na terça-feira, dia 28. O grau mais alto é o nível 3 e ocorre após a confirmação de um caso dentro do país.

Mais contagioso e menos letal que o SARS, espera-se que o coronavírus continue a se espalhar rapidamente, especialmente na Ásia. Os epidemiologistas esperam que as notificações de casos de pico ocorram nos próximos dez dias. Ou seja, vai piorar antes de melhorar.

Por esse motivo, na quarta-feira, o Ministério das Finanças da China anunciou que quase US $ 4 bilhões foram destinados à prevenção e controle de doenças. E isso deve ser apenas o começo do que ainda precisa ser investido para conter a epidemia.

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